Não acredito no espiritismo, mas tenho uma história bem interessante para contar: certa vez, enquanto os carrascos se revezavam e o sistema de tortura parecia um ciclo indefinido, um carrasco colocado certo dia era espírita. Ao receber a ordem de prosseguir com a tortura, lembro apenas de ouvi-lo dizer, mais ou menos isso: "não tenho por que fazer isso". Esse foi o único que não desculpou-se escondendo-se sob a fachada do cumpridor de ordens. Anos depois encontrei outros espíritas, não direi que são todos, mas estes foram os únicos que vi não praticarem a maldade gratuitamente. Sei que não há uma ligação real com a religião deles, mas não sei qual o motivo que é tão difícil encontrar pessoas justas em outros tipos de culto.
Ao Homem comum basta: 1. não matar (fisicamente, moralmente, espiritualmente); 2. não roubar (fisicamente, moralmente, espiritualmente); 3. não mentir (fisicamente, moralmente, espiritualmente); 4. não ser cristão (não servir ao diabo, mesmo que indiretamente, pois não existe intermediário entre D'us e os Homens); 5. não negar D'us (sempre que alguém diz: um messias resolverá, indiretamente quer dizer que D'us é incapaz de resolver). Parece estranho não enumerar as outras diretrizes, que são várias, mas apenas estas já nos diferenciam dos outros animais.
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